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Florença, 25 de Agosto de 2007

Chegamos exaustos a Florença, depois do turbilhão de emoções causados pela estadia em Roma ter culminado em duas horas de viagem numa carruagem com o ar condicionado avariado e muitas senhoras italianas aos berros com o revisor, como se ele fosse resolver o problema do inter-cidades não estar a arrefecer os seus corações como seria suposto arrefecer. Talvez então por a viagem não ter sido das melhores, ou por a atmosfera de Roma ser tão pesada, ou talvez até porque Florença é realmente mística, a chegada à capital da Tuscania foi, sem dúvida, uma das melhores sensações que tive neste interrail.



A cidade é incrivelmente bela, recheada de estreitas ruas com prédios elegantemente arquitectados, de não mais que três andares, enfeitadas por geladarias, restaurantes e muitas, muitas lojas de moda com preços incompreensíveis para a minha mentalidade tacanha. E depois, a cidade de Dante, Raffaello, da Vinci, Machiavelli e Galileo tem uma aura mágica, que vive à volta do rio Arno, e se desenvolve a partir da Ponte Vecchio, a única que resistiu à fúria da II Guerra Mundial, uma ponte medieval recheada de casas com pequeno comércio mas com uma atmosfera tão pitoresca que por mim, ainda hoje lá estava, observando cada detalhe das pequenas casinhas que constituem uma imensa obra de arte e um património histórico como, até hoje, vi poucos.



Apesar de ser conhecida pela Duomo, a gigante catedral de listras brancas e verdes que enfeita o centro da cidade, Florença oferece-nos ainda a fantástica Piazza della Signoria com a gigantesca e impressionante estátua de David (réplica, uma vez que a original foi transferida na Academia de Belas Artes) ou a fantástica Fonte de Neptuno a embelezar o monumental espaço. E para os apreciadores de arte, uma visita à galeria Uffizi, uma das mais conhecidas e antigas galerias de arte do mundo, criada pela família Medici, é mais que obrigatória. Não sou grande apreciador de pintura, talvez por não a entender ou porque, simplesmente, por ora, é raro o quadro que me diz algo de extraordinário, mas impossível ficar indiferente ao vermos uma colecção tão grandes de mestres como Verrochio, Botticelli, da Vinci, Michelangelo, Raffaello ou o exuberante Caravaggio.



De Florença fica então o sabor a pistáchio e chocolate com laranja dos imensos gelados que comemos, fica a memória de uma boa conversa com a simpática brasileira do restaurante onde comemos uma perfumada Bruschetta, fica o som do casal que tocava à noite na Piazza della Signoria, fica a imagem da minha roupa espalhada pelo quarto a apanhar ar e da bela italiana que escrevia ao seu amigo a partir do seu portátil docemente instalado por cima de um na janela da sua casa com a piazza cheia de pequenas pizzarias e videiras. De Florença fica a atmosfera romântica e extremamente cativante, a paz de espírito que senti ao ver o Arno a correr pela primeira vez, o encanto que sinto quando a recordo, fica a vontade que tenho de percorrer aquele chão para o resto da minha vida.

1 Comments:

Blogger Felipe Costa said...

Florence parece que parou no tempo... se nao fossem os carros diria que eh uma cidade no seculo XVII/XVIII...

Mas ao ler o teu post fez-me refletir sobre como eh possivel alguem bombardear uma cidade como essa...

Florence eh a prova que o homem eh capaz do limiar da arte creativa ao mesmo tempo que beira a estupidez!

Florence == World Top 10

October 20, 2007 at 3:45 AM  

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